2°: Borboletas na barriga


  

  O ano letivo tinha acabado de começar. Ela entrou no colégio prometendo a si mesma que seria uma menina diferente em tudo.
  Prometendo-se que seria mais fria e vazia. Que não deixaria ninguém se aproximar demais para não magoar as pessoas.

  Não deu muito certo. O primeiro menino que apareceu e foi gentil com ela, acabou gostando. Acabou se mostrando de verdade. Mostrou seu lado meigo e chorão.
Seu lado triste e carinhoso.
Mostrou seu lado menininha de ser.
E acabou sofrendo.

  Mas tudo que a vida nos dá, ela pode nos tirar e depois dar algo melhor ainda, ou pior dependendo do que se passa com o destino.

  Então.....

  Num dia de chuva aonde a tristeza andava ao seu lado.
A menina aparece de repente numa casa que, de longe parece não ter ninguém, mas um menino alto e moreno, de olhar profundo aparece e abre o portão.
  Mas ele não abriu a portão para ela, mas sim para um menino que foi chamá-lo. Nenhum dos dois estavam vendo-a mas ela os via perfeitamente.

  Conhecia os dois, mas um era de longa data, mais ou menos uns quatro anos atrás.

  Eles conversavam e conversavam e ela não prestava muita atenção, apenas os observava e tentava chamá-los a atenção, até que um menino vai embora e o outro leva-o até o portão. Enquanto isso a menina senta no chão, cruza as pernas e espera-o.

  Ao voltar, o menino de longa data, senta-se no chão e não percebe que está de frente para a menina.

  Ela acaba decidindo levantar a sua mão e encostá-la na dele.

         Até que...
  
  O menino olha para frente como se soubesse que ela estivesse ali.

  Seus olhos ficam enormes e seu coração acelera. A menina levanta assustada e sai sentindo em seu corpo uma das melhores sensações a serem sentidas.

  Enquanto ela saía ele olhava em sua direção como se estivesse vendo-a enquanto sente uma sensação nunca sentida em seu corpo.

1°: Voltar...



 Ela colocou a sua roupa daquele primeiro dia onde tudo começou. Era uma roupa preta que ele adorava. Seus cabelos estavam com um penteado que ele não gostava muito. Nas suas mãos havia rosas brancas e um anel como pingente.

  Eram quase meia noite e a neblina enchia a cidade. Não chovia, mas fazia um pouco de frio, mas mesmo assim ela não se importou.

  O cemitério ficava a poucos metros dali, então ela foi andando.
O cemitério assustava um pouco, mas mesmo assim ela não sentia medo porque sabia que ele estava ali.
  Então finalmente encontrou a cova dele. Simplesmente se deitou, colocou a rosa sobre o peito e dormiu...

  No final de tudo, seu pedido tinha sido para ela o sentir sempre. Mas já que o sono era profundo e o pensamento estava longe, ela não o sentiu aparecer.

  Ele era alto, pele morena, só que pálida. Cabelos negros e curtos, e olhos profundamente escuros para a sua beleza espetacular.
  Usava roupas brancas e asas cinzas, únicas para si, só não se sabia o porquê dessas asas. Na mão uma escritura impossível de ver de tão longe, e no pescoço, um cordão com um pingente inacessível.

  Ele vai até a direção da menina deitada ao pé da cova, senta-se e leva a sua mão até a lápide e começa a escrever rapidamente. Depois passa a mão sobre os cabelos cacheados da menina e se vai pela neblina a dentro.

  Ao olhar para a lápide, está escrito:

   “Volte ao começo e mude o final de tudo...”

  As horas se passam desde aquele momento e amanhece.
A menina se levanta ao nascer do sol quando bate em seu olhar. Ela olha para um lado e para o outro e se pergunta o que faz ali. As rosas não estão mais com ela e o anel, simplesmente sumiu.

  Até que ao olhar para a lápide ela vê, o que está escrito e se assusta.
Rapidamente ela se levanta com o susto e vai embora correndo sem nada o que entender.

  Nesse instante alguém a observa de longe, mas não se vê quem.

Não me importo...



Não me importo
De ficar triste
Se você estiver ao meu lado...

Não me importo
De sorrir abobalhadamente
Se for por você...

Não me importo
De ser uma criança
Se for sua...

Não me importo
De ser a mais idiota
Se você quiser...

Não me importo
De ser perfeita
Se for para você...

Não me importo
De largar tudo
Se for por você...

Não me importo
De chorar
Se você estiver lá
Para enxugar
As minhas lágrimas
E me fazer sorrir novamente...
Não me importo.

Não sei e Não desejo...



Não sei como é
Não te ter
E nem desejo isso.
Porque ficar sem você
É a pior coisa que existe.

Não sei como deve ser
Brigar com você
E ficar sem te ver
Por mais de uma semana.

Não desejo a ninguém
Você com alguém
Porque ficar ao seu lado
É maravilhoso
E só que
Quero sentir isso.

Não desejo a ninguém
Sentir a sensação de perda
Porque jamais
Quero perder você.

Prometa-me...



Não quero
Que isso aconteça de novo.
Não estou afim
De ser idiota mais uma vez
E perder você da minha vida.

Não mais.
Por isso te pedi isso.
Não quero essa repetição.
Já perdi muitos amores
E não me importei tanto no final.

Mas quando eu deito,
Penso
E imagino a minha vida sem você...
Não dá.

É impossível.
Eu choro
Só de pensar
Em te ter longe de mim.

Imaginar-te com outra
Me faz sentir saudades
Dos seus carinhos comigo..
Da sua perfeição..
Do seu amor...

Então prometa-me:

“Se um dia
eu disser que
parei de te amar,
e simplesmente
virar as costas e dizer adeus.

Prometa-me mostrar
Tudo que passamos juntos
E me faça te amar
loucamente mais uma vez.

É só o que
Eu te peço...”

Porque olhar
Para a minha vida
E não ver você...
É a mesma coisa
Que não existir...

Desapego...



Quer uma coisa interessante?
Eu consegui me desapegar a você.
Consigo agora viver a vida
Sem você estar nela
Mesmo que ás vezes
Por encontros e desencontros
Você apareça
Mas não me faz tanta diferença.
E pensar que o antes
Não importa mais.
Você segue a sua vida
E deixa que eu, sigo a minha.
Agora te olhar
Ver-te com outras
Observar-te fazendo coisas
Que antigamente
Não iam me agradar
É normal pra mim.
Como se você fosse
Um nada na minha vida.
Como se nunca tivesse
Existido pra mim.
Sim, isso é a melhor coisa
Não você ter se tornado nada
Mas sim, eu não me importar mais com você.
É como se você passasse por mim
Me mostrasse a sua vida
Seus problemas
E o que andas fazendo.
Para tentar chamar a atenção
E simplesmente.. ignoro
Pior que apesar de tudo
Apesar dos quatro anos
Que vivestes assim
O que mais marcou
Foi o olhar e o abraço.
Era confortador
E o olhar era verdadeiro.
As inutilidades existiram
As utilidades também
Mas a verdade apareceu
E eu simplesmente consegui achar
A minha felicidade.
Dessa vez
O que aconteceu
Ficou para traz
E quando eu olho
Para seus atos e palavras
Simplesmente
Sinto que agora
O tudo é um nada.

 [ Sim.. é para você... L. N. ]

A perfeição ...



Deitar sobre você
Sentir seu carinho
Te olhar nos olhos
E sorrir com esse amor
É a melhor coisa que eu sei fazer.

Ser perfeita a teus olhos
te amar por inteiro
E ter só pra mim
É a minha perfeição.

Saber ser só sua
Saber viver junto de ti
Criar esperanças
E te ter nelas
É o meu futuro.

Te desejar
Te querer
Te ter sempre
Te amar para toda a vida
É a coisa mais perfeita que eu sei fazer.

Pensar em ti a cada momento
Fazer coisas contigo sempre
Te querer a cada beijo
E beijar-te a cada querer
É o meu segredo.

Orar a Deus todas a noites
Pedindo a ele que te protege
Porque viver sem você
Pra mim é pecado
É o que eu sempre faço.

Dormir ao seu lado
Sonhar com isso
E depois acordar
E pensar que está no sonho
É uma coisa maravilhosa.

Ver um arco-íris
Querer ir atrás do pote de ouro
E perceber que já tenho meu tesouro
E é você
É o coração falando

Te amar
E amar
E amar para todo sempre
É a minha virtude...

O final do começo de tudo...


        “Eu sabia que seria difícil viver sem você”

   Era isso que ela escrevia na mesa antes de ele entrar bruscamente.
  No momento dessa cena acontecer para ele lá em cima tudo parou.

  A sala transmitia agora um ar de curiosidade e medo. O que fazer agora? Ele se perguntava isso ao observar.

  A sala, desde o começo de tudo, nunca mais foi a mesma. Ela foi tomando formas de jeitos diferentes. Ela era a mesma sala vibrante, escura e tenebrosa. Com uma luz que nunca parava de piscar. Com o armário coberto e a mesa com uma cadeira no canto. Com um quadro que tudo se podia ler e escrever. Com uma poltrona desgastada e com um espelho sombrio. E dessa vez ela não era mais uma sala fechada pois, apareceu uma janela, que mesmo trancada, mostrava a luz do sol e da lua.

  E de repente, pela primeira vez, se aparece uma porta no canto perto do quadro. E dessa vez o que se pode ocorrer? Ele pensou, mas não sorriu.

  Voltando para aquele segundo de um encontro brusco. O menino apenas entrou e fechou a porta devagar. A menina de olhos cor de mel, que estavam vermelhos de tanto chorar, tomaram um brilho enorme mesmo que sua expressão tenha ficado de tristeza.

  Ela se levanta e caminha até a direção daquele menino alto demais para ela. Ela olha para ela, levanta suas mãos e segura as dele. Naquele momento tudo para e uma luz forte o bastante para cegar alguém entra naquela sala.

  Vê se dois jovens gêmeos. Um menino e uma menina. Eles tem o mesmo cabelo enrolado e castanho. Suas peles são morena clara e seus olhos são escuros como a noite. Vestem uma roupa branca e em seus pescoços há cordões com letras. No menino J. J. e na menina L. M.

  Eles carregam em suas mãos dois anéis de ouro branco com escrituras que não se enxerga de tão longe.
 Eles simplesmente parecem demais com a menina e o menino dali daquela sala. Os gêmeos sorriem ao olhar para os jovens ali e deixam em cima da mesa os anéis.
  Eles mais uma vez olham para os jovens e voltam para a mesa e começam a escrever algo que ainda não pode ser compreendido.

  Os gêmeos se olham e vão, na direção do armário. Puxam o pano juntos e vão-se embora armário á dentro.

  O tempo continua parado e a luz fica acessa e sem piscar. De repente uma escuridão inunda a sala e quando cessa a sala vibrante e sombria tem cheiro de rosas e uma música antiga no fundo.

  O armário está descoberto e a poltrona ao seu lado não está desgastada, mas sim nova e com uma cor marrom ofuscante. Pela janela se vê a luz da lua enquanto a porta está trancada.
  Na mesa junto da cadeira tem um urso de pelúcia rosa e branco e o espelho reflete essa imagem. No fundo há o mesmo quadro que nele tudo se escreve e se lê e abaixo dele há um sofá verde bem grande e nele está deitado um casal.

  É o mesmo casal do começo de tudo.
Ela está deitada no colo do menino. Ele e sorri com um sorriso mais que brilhante. E ela faz o mesmo olhando-o e passando para ele um sorriso mágico que ilumina a escuridão daquela sela. Eles trocam carinhos e não prestam atenção em nada mais em volta.

  Acima deles, no quadro, há uma frase escrita por não se sabem quem.

“Mesmo que tentem nos separar. Mesmo que o mundo esteja contra nós. Mesmo que tenhamos ficado anos separados por uma força desconhecida. Eu te prometi que voltaria a ser seu pro resto da nossa morte eterna...”

  Eles não sabiam que isso estava escrito. Só alguém lá no alto dos céus ou entre abismos poderia ler tal coisa perfeita.
  E na mesa aonde foram deixados dois anéis de ouro branco há algo escrito.

 “Por mais cem anos...”

  A sombra que reluz no abismo e a vida que brilha na escuridão podem obter tal preceito. O ser que sempre os observou disse para todos essa frase, em alto e bom som e apenas eles não escutaram e continuaram ali apenas a sorrirem e se amarem.

  A sala que não para de mudar ficou do jeito que vos falei. Ela continua vibrante, sombria e escura, mas só para aqueles que estão do lado de fora.
  Para os de dentro ela é bela, quente, confortável e reluz toda a luz possível. Tem cheiro de rosas e sons por toda a parte.

  E nesse começo de fim a única coisa que se ouve perfeitamente são choros de bebês ao adentrar do armário. E só aquele que adentra a luz e as trevas pode ouvir.

O começo do fim...




 A sombra tem o contorno feminino e em sua mão há um cordão cujo pingente não se identifica.
  O anjo após sacar sua lança sente alguém atrás de você e rapidamente vira, mas a sombra, por ser rápida demais, num piscar de olhos abre o armário e tira de lá os bebês que a poucos segundos estavam chorando.

  O anjo olha para a sombra, que agora não é mais uma sombra, é uma mulher. Seus cabelos são longos, lisos e negros. Sua pele branca e seus olhos quase cor de fogo. Ela tem as duas crianças nos braços. São um casal de gêmeos. Um menino e uma menina.

  A face do anjo é de ódio e desprezo, mas ele simplesmente não faz nada.

  Os bebês não parecem ser simples crianças, mas sim crianças com uma força extremamente grande. O menino tem em seus pescoço um cordão cujos pingentes são as letras J. J. A menina tem o mesmo cordão com as letras L. M.

  As pequenas crianças olham para a mulher e para o anjo e sorriem como se eles fossem seus pais.

  De repente o sorriso dessas crianças para o tempo e só eles se mechem nos braços da mulher. Algo começa a brilhar e se vê lá de cima que são os cordões dos bebês.

  Num piscar de olhos o tempo se volta como se um poder estivesse sobre aquela sala.

  A sombra vai embora, o anjo voa janela a fora, os bebês entram no armário num piscar de luz. E assim vai até que... Não se vê nada na sala por causa da escuridão e só se escuta um choro no canto perto do armário.

 A luz acende bruscamente e a sala está do jeito que sempre foi.
  O armário coberto, a mesa e a cadeira, o quadro, o espelho, uma janela tranca e do lado do armário uma poltrona desgastada com uma menina sentada nela com a cabeça encostada nos joelhos.

  A menina chora sem parar e ao levantar o rosto dá para ver que seus olhos estão vermelhos e inchados. Seus olhos são cor de mel e seu cabelo é enrolado e castanho. Sua pele é branca demais, e se vê que nunca pegou um pouco de sol.

  Em sua mão há um porta-retratos com uma foto velha e desgastada. Aquele mesmo porta-retratos que foi quebrado no chão. Ela tira a foto que nele estava e a aperta em seu peito. Depois ela vira a foto, olha-a e chora mais ainda e larga a foto no sofá e vai sentar-se na mesa e abraçar um urso de pelúcia rosa e branco de pelagem bege.

  Agora dá para ver o casal da foto.
  No fundo há um lugar tipo uma praça com um jardim e uma árvore. A menina veste uma blusa rosa e está sentada no banco enquanto o menino a abraça e lhe dá um beijo na bochecha. Ela possui um sorriso de felicidade por ele estar ali. Ela é branca e ele moreninho. Percebe-se que a menina da foto é a mesma menina que está ali naquela sala escura e sem ninguém mais.

  Por segundos que se passa a menina está com a cabeça entre os braços e em cima da mesa. De repente se escuta o barulho de uma porta se abrindo. A menina olha bruscamente para o seu lado esquerdo e um menino moreno do cabelo curto e enrolado abre a porta e com uma cara de desespero olha para a menina sentada na mesa.

A saudade...



  Quando ela acabou de tomar banho, se vestiu com roupas leves, pronta para dormir. Enquanto ele tomava café na sala com seu chinelo de lã e seu roupão quente o bastante para aquele dia frio de outono.

  Ela após tomar um copo de leite caminha em direção a seu quarto. Abre a porta e uma luz forte demais a faz desmaiar. Ele resolve ir dormir e desliga a televisão. Caminha vagarosamente até seu quarto e uma negritude fecha sua vista e ele desmaia.

  Minutos após o desmaio ela se levanta e não está em seu quarto, está na sala escura e fria. Ele se levanta e percebe que o chão está gelado demais para ele estar ali e se vê dentro da sala vibrante e sombria.

  Os dois se levantam ao mesmo tempo, mas não se enxergam ainda. Ela observa o armário coberto e a poltrona desgastada. Sua expressão mostra saudade e uma lágrima cai de seus olhos cor de mel.

  Ele se levanta virado para a mesa e sente a presença de um anjo. Sua expressão é de tristeza e saudade, mas mostra também um tom de culpa que não se sabe da onde vem.

  Os dois começam a olhar a sala até que dão de cara um com outro e não sabem o que fazer. A alegria aparece no rosto com um toque de saudade profunda. Resolvem andar para se abraçar e dão de cara com um vidro no meio da sala. Forçam com as mãos e nada. Estão afastados mais uma vez...

  Por um momento eles escutam passos. Ela olha para o armário e ele para o espelho ao seu lado. O armário é aberto e de dentro dele sai uma menina linda de cabelos cacheadinhos e curtos. Seus olhos são castanhos e sua pele branquinha. Ela veste um vestido branco de cetim e tem sapatinhos de cristal que quase não aparecem em seus pés. Ela tem uma fita. Sorri e começa a cantar uma musiquinha antiga o bastante para ela. A pequena olha para a senhora que ali está e dá o seu maior sorriso ao começá-la a envolver.
  Uma luz se forma ali e a senhora muda de roupa num feixe de luz. Sua pela branca e enrugada são a mesma e suas roupas são brancas e leves. Uma presilha prende seus cacheados cabelos brancos em forma de borboleta e em seu pescoço a um cordão cujo pingente é um anel de prata. A pequena menina para, sorri e a abraça.

  Enquanto isso um pequeno menino sai de dentro do espelho. Seu cabelo é liso e castanho. Seus olhos são cor de mel e suas roupas são brancas e de cetim. Ele traz na mão uma leve faixa branca e começa a correr em volta do senhor que ali se presencia.  Numa cena rápida que se ocorre o senhor está com roupas brancas, leves e quentes. Em seu pescoço a um cordão com o pingente de uma letra.

  Eles se entreolham enquanto as crianças atravessam o vidro. A menina abraça o senhor e o menino a senhora.
  Os pequenos viram e se olham. Num instante de segundos eles escrevem algo no vidro como se fosse algo comum, viram as costas e somem numa fenda no meio da sala.

  No vidro está escrito: “Não importa o que tenha acontecido o infinito nos espera...”
  Eles se olham, sorriem e a saudade vem, até que uma música da vida deles toca e eles fecham os olhos. Ao abrirem cada um está em seu quarto. Com as roupas de antes, mas cada um com seu cordão de prata. Nesse momento suas expressões são tristes, mas lá no fundo há um pouco de alegria em seus corações.

  Ao voltar a observar a sala. A diferença sempre é contínua. O armário coberto e a poltrona ao seu lado. A mesa e a cadeira, e a sua frente o espelho.           Na outra parede o quadro e na outra a janela trancada como sempre. A luz que não para de piscar. O retrato caído no chão quebrado e as penas negras se recolhem vagarosamente no chão até o armário.

  Mas por segundos se escuta choro de bebês ao romper do armário. Um anjo aparece na sala e toda a escuridão some. Suas asas são negras, suas roupas brancas e seus cabelos negros e lisos. Ele para na frente do armário e puxa sua lança vagarosamente.

  O choro cessa e uma sombra solitária aparece atrás do anjo.

A ilusão...



“Por um momento pensei que fosse ficar ali para sempre, a te observar e observar sem poder te tocar nem falar com você. Não sei ainda o porquê de não poder te ver.”

  Nesse pequeno momento são 23:30 da noite e só se escuta essa voz dentro da sala mas mesmo assim não tem ninguém. Sente-se também, alguém observar a sala lá de cima, lá do alto das nuvens mas, não sabe-se quem seja.

  A sala neste momento está diferente. São quase meia noite e o seu cheiro está suave. Tem cheiro de rosas no ar, não rosas comuns, mas rosas de um casamento. Sons começam a serem ouvidos. Sinos de uma igreja começam a tocar. Começasse a ouvir também toque de violinos no ar.

  De repente uma moça linda de pela clara, cabelos encaracolados e presos, de uma forma bem bondosa, sai do espelho que na sala se encontra. Vagarosamente ela vai aparecendo na sala e ao olhar para o chão pega o tal objeto desconhecido que ali estava. É um prendedor de prata em forma de borboleta. A moça pega-o e coloca-o na cabeça para prender seu véu.

  Sim, ela está com um vestido lindo de casamento. Ele é branco e bem enorme. Não é armado mas, também não é totalmente liso. Ele tem detalhes de prata e quando a luz bate ofusca em quem vê.

  Quando ela olha para a janela o brilho d alua faz seus olhos clarearem e percebe-se que são cor de mel. Com esses olhos ela observa a mesa e um buquê de rosas laranja que ali estão. Ela pega-o e olha para sua frente.

  A sala não parece mais a mesma. Nesse momento ela é o altar de uma igreja. Tem cadeiras e pessoas nelas. Há um tapete vermelho que leva até o altar. E lá há um padre e um homem. Ele está de terno preto e com um sorriso enorme no rosto. Seus olhos são negros e brilhantes, sua pela é morena e seu cabelo é enrolado.

  Ao olhar pra frente, a linda moça sorri e ao som dos violinos ela caminha até o tal homem e o padre, devagar e cuidadosamente.

  De repente este cenário vai se desfazendo pouco a pouco. As pessoas começam a ficar com expressões tristes e a sumir. O padre e o noivo rapidamente vão-se embora como uma imagem. O tapete vermelho se desintegra virando fumaça vermelha. A música lenta e agradável se vai como se nunca tivesse aparecido. O cheiro de rosas desaparece dando lugar ao cheiro de medo da sala tenebrosa.

  A moça, ao olhar para o espelho, está com seu vestido rasgado e desbotado. As flores de seu buquê estão murchas e seus cabelos bagunçados. Sua pela está pálida e seus olhos não brilham mais, e ao olhar para a sua cabeça apenas o prendedor brilha e é um brilho único. Um brilho que nem a lua pode ter.

  Mesmo com esse brilho a expressão da linda moça muda e se torna uma expressão triste e de solidão. Por um momento seus olhos param de brilhar e lágrimas começam a escorrer, até que ela ouve um barulho de alguém que bate na janela. Ela olha, mas nada vê.

  O barulho cessa e a luz apaga de vez. A moça está assustada porque uma sombra rápida o bastante para ela ver passa pela sala e para em frente ao quadro. Começa a escrever algo, rapidamente para e logo vai embora e por obrigação.

  A luz acende outra vez e a moça se levanta e caminha até o quadro. Ao olhar para ver o que está escrito, leva um pequeno susto e lê em voz alta: “Te observo dia e noite. Te sinto dia e noite. Te desejo dia e noite. E te amo até o julgamento final. – Seu Bem Amado”

  Seu choro cessa, mas a tristeza não. Ela então por um impulso se vira e caminha até o armário. Puxa o pano que o cobre, abre a porta e se vai escuridão á dentro deixando um rastro de tristeza e solidão naquela sala.

  A sala não é a mesma de antes. Ela parece mais solitária e mais triste. O cheiro de medo é mais forte e os mesmo objetos lá estão. Dessa vez, penas negras são um rastro do espelho até o armário. E o pequeno quadro com a foto de um casal está no chão quebrado e com gotas de sangue.

A esperar...



  Por um momento se vê de relance a sombra de alguém passar pela sala. Era uma sombra masculina e com asas. Então com mais clareza a tal sombra anda vagarosamente até o centro daquela sala escura e pega o cordão e sai.

  De repente uma janela aparece a cima da mesa que ali se encontra. A janela está entre aberta e sozinha sem ninguém tocá-la ela se fecha devagar.

  Ao voltar para o centro da sala uma poltrona cinza e desgastada está ao lado do armário e alguém está sentado ali. Percebe-se que é a tal sombra de asas. Ele se levanta e vai até a luz com o cordão na mão.

  Agora já pode-se ver a face e o corpo dessa tal pessoa. É um menino meio moreno só que um pouco pálido e de cabelos curtos e enrolados. Ele tem asas brancas e não usa nada além de uma calça branca e larga de pano macio.

  Com um gesto lento e suave ele leva o cordão até o pescoço e cujo pingente que aparece é a letra M. Não se sabe o porquê desse pingente estar ali e de que seja essa letra.

  O tal rapaz olha para a parede e sua expressão é triste e solitária. Ele olha para o quadro e dessa vez sorri. E nesse quadro á um casal.

  A foto está desgastada e antiga demais e não se vê quem são eles. Mas o sorriso no rapaz aumenta cada vez mais e sua expressão mostra saudade.

  De repente ele escuta algo e olha para o quadro, com impulso. Algo ou alguém está escrevendo ali, mas ele não vê, e então parasse de escrever.

  Ele caminha até o quadro e ao ler o que estava escrito rapidamente uma expressão de amor aparece em sua face. No quadro esta escrito:

 “Note que eu estou aqui esperando por você...”

  Ao acabar de ler ele vira as costas e ao olhar para perto do quadro vê um grande espelho com o contorno de prata pura e brilhante. Ele caminha até lá e ao olhar para as suas asas as pontas delas estão negras.

  Ele se assusta com aquilo e rapidamente sua expressão muda para uma de medo e desânimo.

  Ele decide então deixar aquela sala. Ao caminhar não percebe que deixa algo cair em frente ao espelho e se vai. Abre suas lindas asas e voa janela a fora.

  A pequena sala escura e vazia fica mais uma vez sem ninguém apenas mais alguns objetos.

  Agora esta sala não vibra mais só que ainda é tenebrosa. E com o armário coberto, o quadro sozinho, uma mesa e uma cadeira... Agora se tem uma poltrona desgastada, uma janela, um quadro e ao seu lado um espelho que a sua frente tem um objeto mais uma vez desconhecido.

  Agora ao olhar para o espelho sente-se a presença de alguém forte e ao mesmo tempo fraco. De alguém feliz e ao mesmo tempo triste. De alguém decidido e também indeciso. E de alguém que ama e mesmo assim odeia.